Postagem em destaque

Novo site no Ar!

sábado, 10 de outubro de 2015

Repensando a escatologia: O Império Romano.

Graça e Paz a todos! Voltamos para mais um estudo. Este pretende ser polêmico, porquanto no atual texto, atacaremos uma das bases da escatologia moderna ao mesmo passo que apresentaremos uma nova versão dos fatos, não como alguns que empurram ideias goela abaixo, mas explanaremos e apresentaremos de modo racional e histórico uma nova versão da história que projeta ser bíblica.

Mas primeiramente pretendo mostrar em uma introdução, a como cheguei a essa conclusão.



Nota: Este estudo não tem o intuito de ofender nenhum Católico, Adventista ou Protestante.


Breve Introdução

Costumo estudar escatologia, desde quando o Senhor me encontrou esse foi um assunto que sempre me despertou a curiosidade, mas quando via ou lia algo sobre escatologia sentia como se algo estivesse faltando, algo que, assim como uma chave que se encaixa perfeitamente em um cadeado, se encaixaria nas profecias. O que está faltando? Esta era a minha pergunta.

Percebendo que sempre se convergia as ideias de quem seria um dos principais e mais estudados personagens da escatologia cristã, o anticristo, e vendo algumas das novas ideias que surgiram quanto a isto, resolvi por mim mesmo pesquisar e investigar, então com o auxílio de livros e alguns artigos e vídeos da internet, cheguei a dar um passo a mais no cumprimento da profecia, não que o tenha chegado por completo, mas as novas ideias estão abrindo horizontes jamais vistos, ajudando a fazer o encaixe perfeito da profecia. 

Este estudo não pretendo ser altivo, nem se proclamar dono da verdade absoluta, mas mostrar como e por quê a escatologia atual pode estar um pouco equivocada. Aqui está um pouco dos estudos que fiz, espero que você seja abençoado com ele. Peço que você leia com sabedoria, e possa interligar os fatos históricos.

As sete cabeças da besta do Apocalipse 13.

Sempre nos é dito em muitos estudos e artigos sobre a besta do apocalipse (do mar) que ela é composta por sete reinos que dominaram o mundo em sua época. O que impera atualmente é a perspectiva adventista, que é adotada por muitos, alguns com algumas mudanças. Essa é a lista dos Impérios que muitos sites e livros trazem. Essa lista está corretíssima, não atacaremos a ela, mas a um dos seus itens, o sétimo reino e também o oitavo, que é o do anticristo. Vamos a ela:


  • 1.    Egito
  • 2.    Assíria
  • 3.    Babilônia
  • 4.    Pérsia
  • 5.    Grécia
  • 6.    Roma
  • 7.    Roma Papal
  • 8.    Vaticano

Esta é a visão adventista, em que traz o Vaticano como o reino do anticristo, o papa o próprio anticristo e a Igreja Católica Romana como a Grande Meretriz.
A versão mais usada na escatologia atual não se distancia muito da versão adventista:


  • 1.    Egito
  • 2.    Assíria
  • 3.    Babilônia
  • 4.    Pérsia
  • 5.    Grécia
  • 6.    Roma
  • 7.    Roma dividida
  • 8.    União Europeia, Estados confederados da Europa, o G20 ou o Império Romano revivido (que entra nos três primeiros).

Fazendo uma mistura da interpretação preterista, futurista e histórica, essa lista se baseia. Visão preterista, por que associam o Livro de Apocalipse quase todo ao Império Romano, futurista, por crer que o Livro se trata de visões que acontecerão no futuro e histórica, por interpretar alguns fatos que deveriam ser do futuro, como histórico, e assim juntando-os.

Muitos interpretam a visão de João da besta do capítulo 13 como infalivelmente sendo o Império Romano, não abrindo espaço para a plenitude da profecia. Em um site de escatologia (não citarei o nome) diz que:

“O fato de o diabo ter sete cabeças com sete coroas (diademas) muito provavelmente representa os sete estágios do Império Romano, que moldou o estilo de governo satânico. O Império em si pode ter desaparecido, mas seu conceito permanece até nossos dias - o mesmo regime ditatorial, totalitário e maligno adotado em países atuais. Pela história, o Império Romano teve seis estágios:
  1. Roma, somente
  2. Itália
  3. Grécia e os Bálcãs
  4. França (Gália)
  5. Oriente Médio
  6. Britânia
Perceberam que eles sempre levam para Roma? Porventura as sete cabeças e sete coroas do diabo não poderiam simplesmente dizer que, como sete é o número da inteireza 1) o diabo possui os sete impérios da lista, o imperador e poder deles? 2) que ele tem poder e autoridade para governar através dos sete reinos e seus imperadores? Por que tem que levar a profecia totalmente para Roma? Lembre-se da salada que fazem misturando todas as interpretações.

Em outro ponto referente as sete cabeças da besta, o mesmo autor do site diz:

"As sete cabeças são a parte mais controversa e o que vamos escrever é baseado no que já houve de pesquisas escritas a respeito:
  1. Uns sugerem que podem corresponder a sete reis (imperadores) do Império Romano. Até a época de João, cinco reis já haviam aparecido. Domiciano era o da época de João e então [ isso não seria visão preterista ou histórica? ], ocorreria um salto na história até o período de Tribulação em que o anticristo será o tal "sétimo rei".
  2. Outros sugerem que podem correspondem a sete fases pelas quais os Império Romano passaria [Novamente Roma] e a sétima seria a besta não descrita em Daniel 7 que seria então o sistema de governo do anticristo a ocorrer durante a Tribulação. (Grifo e comentários meu).
Percebe-se que não se dá espaço para os outros reinos que eles mesmo dizem que foram as sete cabeças da besta, mas como eu já disse, a besta é histórica, sendo representado por sete impérios que oprimiram Israel e não somente por Roma. Dizer que apenas Roma se encaixa na figura da besta de apocalipse 13, excluindo todos os seis impérios anteriores, sem nenhuma prova do porquê, é o mesmo que afirmar que a mulher de apocalipse 12 é a Maria do culto mariano!!

Por isso defendo uma revisão do que seria as sete cabeças da besta sem dar lugar a dualidades como: “Ah, as sete cabeças podem significar os sete reinos e os sete estágios do Império Romano”. Isso dá a profecia duas interpretações no mesmo texto, como se um símbolo pudesse representar mais de uma coisa, é claro que, salvo alguns que esse modo de interpretação é cabível.

O real Império Romano: O que muitos não te contaram sobre ele.

O SPQR Romano significa o Senador e o Povo de Roma. 

Vamos agora a segunda parte do estudo, em que mostraremos agora como equivocadamente, interpretam a sétima cabeça como sendo a Roma Papal, Europa, e o que der na cabeça de qualquer um que decifra a Revelação sem qualquer escrúpulo.

Li certa vez em um blog a seguinte frase:

“Ao ser mencionado que a ferida mortal do Império Romano tinha sido curada [ Não foi uma das cabeça da besta que foi curada? ], Deus desejou mostrar, que, apesar da ocorrência da queda ou do fim deste Império, toda a sua estrutura de poder, suas ideologias pagãs e suas campanhas sanguinárias continuariam vivas, através as ações de Roma Eclesiástica, sua legítima sucessora. [Misericórdia! ] ” (Grifos e comentários meus)

Como percebemos, eles atribuem ao Império Romano do Ocidente dividido em vários reinos como a sétima cabeça da besta, apoiando que Roma Papal é a sucessora do Império Romano, mostraremos que esse pensamento é ilógico, do ponto de vista histórico, que o Papado, nem qualquer outro reino europeu é o “legítimo sucessor” do Império Romano. Estudaremos os estágios de Roma Imperial, até chegarmos ao papado e divisão da Europa, tentando encontrar quem realmente é o sucessor de Roma. Focaremos agora em Roma Ocidental.

Vamos ver alguns parágrafos de um livro de história:

“Em 285, a situação [os imperadores romanos estavam em uma época que brigavam por 
poder, e para assumir o trono, assassinavam o Imperador atual] se reverteu com a ascensão de Diocleciano, inaugurando o chamado Dominato ou Baixo Império Romano (285 a 476). [...]. Em 293, o imperador romano instituiu a tetrarquia. O império foi dividido em quatro grandes territórios, cada qual com o seu imperador.


Após várias tentativas de reordenamento [houveram muitas lutas dentro do Império para ver quem assumia o trono], o império foi definitivamente dividido em 395: o Império Romano do Ocidente, com sede na cidade de Roma, e o Império Romano do Oriente, com sede na cidade de Bizâncio [Bizâncio é o mesmo que Roma, pois se tornou capital do Império do Oriente], depois denominada Constantinopla.

A divisão do Império garantiria a sobrevivência do Estado no Oriente [os romanos não queriam perder todo o império, por conta de o Ocidente já estar cambaleando, o Oriente foi visto como uma forma de manter o estado vivo, e a partir de lá reconquistariam o Ocidente, que já se encontrava ameaçado pelos bárbaros]. Combalida, a face ocidental do Império resistiria bravamente até o século V. Mas, empobrecida, Roma não resistiria à fúria germânica.


No ano de 476, Odoacro, chefe dos hérulos, conquistou Roma, depondo o último imperador, Rômulo Augusto. A queda de Roma foi um marco na história ocidental. [Nota: Roma aqui refere-se a capital do Império do Ocidente que ficava na península itálica, não ao Império por completo]” (VAINFAS, Ronaldo... [et al.]. História 1: Das sociedades sem Estado à monarquia absolutista. 2. Ed. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 73. Grifos e comentários, entre colchetes [ ] meu)

Divisão do Império Romano entre Ocidente e Oriente.

Percebemos estudando a história que Roma do Ocidente não aguentou muito a invasão dos bárbaros que ora se dava de forma violenta através de guerras, e ora através do consentimento romano. Por conta de a economia do império depender de conquistas e escravismo, Roma passou a alugar terras para os germânicos, que entraram no império por casamentos e colonização. Veremos como se deu a queda do império minunciosamente para não deixarmos dúvidas e não passarmos por enganadores.

“No século V, a parte ocidental do Império Romano se encontrava enfraquecida. O colapso veio com a invasão dos hunos, povo de origem asiática”. (Idem. p. 81)

Os hunos eram um dos povos bárbaros (os bárbaros eram os povos que viviam fora das fronteiras do império e não falavam o latim) que conquistaram o Ocidente e destruíram Roma. Conhecidos por serem guerrilheiros, tinham por chefe “Átila, [que] talvez tenha sido o maior guerreiro de seu tempo. Os cristãos costumavam chama-lo de “o flagelo de Deus”. (Idem. p. 81). Os hunos foram responsáveis pela total flagelação de Roma.

Átila saiu conquistando todos os territórios que via pela frente, seu império foi do rio Volga, na Rússia, até o rio Reno, na Europa. Enquanto Átila ameaçava a Europa, o papa foi ganhando poder no Império Romano do Ocidente fazendo-o decair mais ainda, ofuscando a imagem do Imperator Romanorum.


“Em 452, [Átila] iniciou novo ataque, tendo como alvo a península itálica. Na sua marcha, destruiu Milão e quase conquistou Roma. A intercessão do papa Leão I foi decisiva. Conseguiu que Átila se retirasse mediante o pagamento de um tributo anual. As negociações realizadas por Leão I reforçaram a autoridade papal no Ocidente em face de um poder imperial cada vez mais frágil [os germânicos dominaram terras do império e o transformaram em reinos individuais]” (Idem. p. 82 adições e comentários entre colchetes [ ] meu)
O encontro de Santo Leão, o grande, com Atila. Feito no século XVIII, por Francesco Solimena (1657-1747), ilustra o encontro de Átila e o papa Leão I, o Grande. A intervenção do pontífice preservou Roma. (Pinacoteca di Brera, Milão, Itália.)

A partir de uma série de ataque e brigas o Império Ocidental caiu, a vida tornou-se nova, e a Europa, dividida. Os povos das tão famosas cidades romanas, fugiram para os campos e florestas em busca de refúgio contra as invasões bárbaras, pouco a pouco os germânicos se tornavam maioria na Europa, veremos quem eram esses povos e como se dividiam.

“Os germanos dividiam-se em vários povos, com grandes diferenças culturais entre si. Eram, entre outros, os anglos, os saxões, os visigodos, os ostrogodos, os vândalos, os francos, os suevos, os burgúndios, os lombardos, os alamanos e os hérulos. Com a dissolução do Império Romano do Ocidente, diversos povos germânicos dominaram diferentes regiões da Europa. A vida na Europa recém-dominada pelos germanos transformou-se bastante, mas também muitas características do Império Romano foram mantidas. Quanto a organização política, também houve muitas mudanças. Os romanos viviam em um império centralizado e hierarquizado, enquanto os germanos se organizavam, tradicionalmente, em tribos que estavam em processo de centralização. Com as invasões, esse processo se acentuou. Por volta do século VI, já haviam organizado novos reinos nos territórios ocupados. A maioria desses reinos, porém, teve vida curta. Apenas os francos conseguiram se estruturar e expandir seus domínios. (Gilberto Cotrim. História Global – Brasil e Geral. São Paulo: Saraiva, 2005. p. 116-117. Grifos meu)

Os germanos são os povos que deram origem a Europa atual. Ao dominarem o Império eles se dividiram em reinos próprios, cada um com seu próprio chefe, diferente de Roma antiga e do Império Oriental, que ficavam sob o domínio de apenas um Imperador soberano. O modelo imperial no Ocidente acabou com a invasão dos bárbaros, o que deu lugar a reinos separados.

“Enquanto o antigo Império Romano do Ocidente se fragmentou em inúmeros reinos bárbaros, o Império Romano do Oriente, ou Bizâncio, conseguiu manter uma estrutura relativamente duradoura até o século XV, quando sua capital, Constantinopla, foi tomada pelos turcos. ” (ARANHA, Maria Lucia de Arruda. História da educação e da pedagogia: geral e Brasil. 3 ed. São Paulo. Moderna, 2006 p. 102)

Então diante de tudo isso é inegável a afirmação: Roma Ocidental caiu, e em seu lugar se formaram vários reinos, divididos, cada qual com seu rei. Como poderia haver um Império sem Imperador? O Ocidente estava sob um mosaico de reinos, por isso, não é mais considerado um Império. Se o Ocidente dividido NÃO foi uma continuação do Império Romano, consequentemente o papado nem qualquer outro reino pode tomar o seu lugar quanto a sétima cabeça da besta, então, como a profecia do Apocalipse pode se cumprir?
O Império Romano do Oriente (Bizâncio)

Detalhe de mosaico bizantino (c. 547) representando Justiniano I. O caráter divino do imperador do Oriente é ressaltado por um halo que envolve sua cabeça.

Lembram que em 395 d.C. Roma se dividiu em Império Romano do Ocidente e Império Romano do Oriente? Então, embora ROMA OCIDENTAL caiu, a parte Oriental continuou de pé até o fim da idade média. Em 476 d.C o Ocidente caiu, mas como vimos, o império mudou-se para o Oriente e sua capital passou a ser Constantinopla. Enquanto o Ocidente se tornara em inúmeros reinos, o Oriente se mantinha unido sob um imperador.

O Oriente fez Roma (o Império, não a cidade) se manter de pé, permitindo haver uma sucessão genuína das cabeças da besta. Vale lembrar também que apenas por que o Império Bizantino recebe esse nome, isso não o desqualifica como romano, na verdade o nome Império Bizantino começou a ser usado pelos filósofos iluministas, antes disso ele não tinha esse nome. Vamos chama-lo assim, pelo fato de ser muito usado nos livros.

“De início [no Oriente] prevaleceu a tradição romana, com o uso do latim, e o papa de Roma ainda dispunha de autoridade para decidir sobre questões da religião cristã. Com a estrutura administrativa herdada da tradição romana, a civilização bizantina manteve-se econômica e financeiramente adiantada, enquanto o Ocidente decaía.

Com o tempo falaram mais alto as raízes gregas e asiáticas, e a orientalização de Bizâncio foi inevitável, passando a predominar costumes mais antigos, inclusive com a retomada da língua grega. Os imperadores, investidos de maior poder, assumiram decisões no campo religioso, motivo pelo qual as divergências com o papado culminaram em 1054 com a criação da Igreja Cristã Ortodoxa Grega, acontecimento conhecido como Cisma do Oriente, pelo qual os bizantinos recusaram a autoridade do papa de Roma e as duas Igrejas se separaram. “ (ARANHA, Maria Lucia de Arruda. História da educação e da pedagogia: geral e Brasil. 3 ed. São Paulo. Moderna, 2006 p. 102)

No Oriente, o modo romano de imperar ainda subsistia. O imperador realmente tinha poder, mandava na religião, na economia, no direito. Preservou-se assim, como era de costume romano, uma grande estima pelo imperador. O próprio Ocidente reconhecia o imperador de Bizâncio dando-lhe o título de Imperador Romano.

“O imperador [no Império do Oriente] era considerado representante de Deus na Terra, uma característica visível nas pinturas, nos mosaicos [...] e demais obras de arte: a cabeça imperial era rodeada por um halo, semelhante ao das imagens dos santos. ” (VAINFAS, Ronaldo... [et al.]. História 1: Das sociedades sem Estado à monarquia absolutista. 2. Ed. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 84. Comentários, entre colchetes [ ] meu)

O Oriente viveu por muitos séculos independente do Ocidente, totalmente separada política e religiosamente, até a religião cristã no Oriente era mais pura que no Ocidente, a educação também continuou sendo a humanitas romana, enquanto que na Europa a Igreja Católica impedia a população de ler livros de filosofia e outros clássicos tomados como “pagãos” (os que sabiam ler, que na época era muito raro, já que apenas os clérigos sabiam ler). Até mesmo a Bíblia não se podia ler, o padre deveria ler e interpretar conforme as regras da Igreja Católica (a missa e a leitura eram realizadas em latim, o que dificultava mais ainda a disseminação das Escrituras, visto que poucos sabiam o latim). Por isso, quando se fala de Idade das Trevas, se fala de Europa, por que “o Oriente era bem mais rico e concentrava as regiões mais férteis do Império, e as cidades e o comércio ainda eram muito ativos [no Ocidente as cidades foram esvaziadas, a população vivia em feudos, muitos separados uns dos outros]. Isso ajuda a entender por que no século V essa parte resistia às invasões, enquanto o Ocidente foi sendo pouco a pouco dominado por diversos povos. ” (Carlos Augusto Ribeiro Machado. Roma e seu império. São Paulo, Saraiva, 2000. p. 41. Comentários entre colchetes [ ] meu)

Muito se destacava a Igreja de Bizâncio com a Igreja de Roma, por conta de não haver um imperador, o papa era líder da religião cristã no Ocidente, já no Oriente o imperador dominava sobre a religião, como era de costume no Império Romano, disso percebemos que até na estrutura religiosa a Europa não tinha nada da forma romana, enquanto que Bizâncio, sim. Antes mesmo da queda do Ocidente, o cesaropapismo era o sistema que vigorava no Oriente.

“Submetida ao imperador bizantino [Roma Oriental], a igreja de Constantinopla se mantinha autônoma em relação ao patriarca de Roma (o papa). O mesmo ocorreu em outras sedes da Igreja oriental, incluindo partes da Europa do leste, onde os patriarcas eram autônomos e só formalmente subordinados ao patriarca de Roma. Nos territórios de Bizâncio, a maior autoridade da Igreja era o imperador. Portanto, desde o início da Idade Média [queda do Ocidente], ou mesmo antes, as Igrejas do Ocidente e do Oriente eram quase separadas. No entanto, a ruptura total somente se consumaria com a Grande Cisma do Oriente, no século XI, com a fundação da Igreja ortodoxa ou Igreja grega, que conheceu diversas ramificações. (VAINFAS, Ronaldo... [et al.]. História 1: Das sociedades sem Estado à monarquia absolutista. 2. Ed. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 84. Comentários, entre colchetes [ ] meu)

O tempo passou e Bizâncio continuou Romano até o fim, muito aguentou o Oriente, que recebia ataques dos turcos, dos árabes, dos persas e até dos reinos Ocidentais. O imperador bizantino se mantinha ao lado do povo, sempre defendendo o império dos ataques. Mas como profetizado, a sétima cabeça da besta viria e tomaria o lugar de Roma e “em 1425, João VIII, [...], [penúltimo imperador de Bizâncio] buscou o apoio dos cristãos da Europa Ocidental, até mesmo da Igreja. Chegou a propor uma conciliação com Roma, reconhecendo a autoridade apostólica do papa. O Concílio de Ferrara, iniciado em 1431, aprovou a união entre as duas Igrejas, mas a aliança não prosperou, pois, os patriarcas de Bizâncio rejeitaram a manobra do imperador. A queda de Constantinopla tornou-se questão de tempo. No início de 1453, os turcos conquistaram a cidade. “ (VAINFAS, Ronaldo... [et al.]. História 1: Das sociedades sem Estado à monarquia absolutista. 2. Ed. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 123. Comentários, entre colchetes [ ] meu).

Vamos a Bíblia: As sete cabeças... são também sete reis... Ap 17:9-10.

As sete cabeças não são apenas reinos ou impérios, são também sete Reis. Se são também reis, então uma cabeça só pode deixar de existir se o seu rei também deixar de existir. Sabendo-se disso, um reino pode deixar de existir, mas se o seu rei não morrer, o reino continua vivo. O mesmo ocorreu com Alexandre e seu império, que foi dividido se tornando as quatro cabeças do leopardo da visão de Daniel. Na tomada de Constantinopla o último rei romano, Constantino XI Paleólogo foi morto, então o Império acabou, “sua morte marcou o fim definitivo do Império Romano, que continuou no leste 977 anos após a queda do Império Romano do Ocidente (Nationalism and territory: constructing group identity in Southeastern Europe, George W. White, Rowman & Littlefield, 2000, pp.124, grifo meu.) Com a queda de Constantinopla, o Império Romano definitivamente ruiu, sendo sucedido pelo seu verdadeiro sucessor, o Império Turco-Otomano, para ler mais aqui.

Como estudado, os reinos bárbaros e o papado não se deram como uma extensão nem sucessor do Império Romano, pois ele ainda existia no Oriente, mas ainda podem restar dúvidas frente as objeções, vamos a elas.

E o Papado? Algumas verdades sobre o Papado Europeu.

A bandeira do Estado do Vaticano. Na parte branca encontra-se o Brasão de Armas do Vaticano, composto pelas duas chaves de São Pedro, representando o poder terreno e celestial, as chaves interligadas simbolizam a autoridade do Papa para religar o céu à Terra. Ao centro do Brasão vê-se a coroa papal.

Poderíamos parar o estudo aqui e já teríamos provado que depois que o Ocidente caiu, o Império Romano continuou vivo até o fim da Idade Média, na parte Oriental. Mas vamos seguir para analisarmos o Papado Europeu, que muitos dizem ser a besta.

O Poder do Papa

Quando o imperador Constantino se “converteu”, em 312 (alguns dizem 313), o cristianismo se tornou religião oficial do Império Romano. O imperador permitiu as práticas da fé cristã, inclusive, ele é considerado por muitos como fundador da Igreja Católica, pra quem não sabe a palavra Católica, descreve justamente essa prática adotada por Constantino, a palavra vem do Latim CATHOLICUS, “geral, universal”, do Grego KATHOLIKOS, da expressão KATH’HOLOU, “no geral, globalmente”, de KATA, “sobre”, + HOLOS, “inteiro, total”, ou seja Católico significa algo universal, sobre todos, então Igreja Católica nada mais é do que “Igreja sobre todos”, “sobre todo o  mundo (romano)”. Todo o império estava, agora, debaixo da fé cristã. Constantino permitiu os cristãos se organizarem, e, ele mesmo definiu come seria a liturgia e ordem da Igreja, mas acontece que o Imperador não conhecia outro modo a não ser o dos antigos cultos pagãos e das cerimônias da corte imperial. Assim muitas liturgias, práticas e até mesmo a arquitetura das igrejas foram inspiradas no paganismo. Muitos nem sequer estudam a História da Igreja, para sequer perceberem que a Igreja Católica, não foi um novo ramo do cristianismo, mas apenas um cristianismo difundido e não mais perseguido. Acontece que o paganismo se aproveitou dessa liturgia baseada nos seus cultos para introduzirem heresias, para dar algumas “escapadinhas”, por exemplo, a deusa Venus e Cupid foram transformados em “Deusa Mãe e Filho” (quem lê entenda). Então a Igreja foi tornando-se misturada ao paganismo.

Constantino convocou o Concílio de Niceia, em 325, primeiro evento ecumênico, em que ele era o Pontifex Maximus (Sumo Pontífice) que escolheria os bispos e regeria toda a religião no Império. Desse Concílio surge o Credo Niceno Constantinopolitano: Creio na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica Romana.

O tempo foi passando e os Bispos foram tomando poder para si, querendo mais autoridade sobre o povo e a Igreja, as igrejas locais começaram a perder autonomia quando o Papa Inocêncio I, em 402, se declarou "Governante das Igrejas de Deus” exigia que todas as controvérsias fossem levadas a ele. Foi então que o Bispo da cidade de Roma (naquela época cada cidade tinha o seu bispo) Leão I (440-461), se exaltou afirmando que o Bispo da cidade de Roma, teria mais autoridade sobre a Igreja e sobre todos os outros bispos das outras cidades, por conta de a religião romana ter sido originada em Roma. Então, o Bispo atribuiu para si o título mais uma vez de Pontificex Maximus, o mesmo adotado pelo imperador Constantino, se tornando o Papa, o termo papa vem da junção da primeira sílaba de duas palavras latinas: Pater Patrum (Pai dos pais), virando assim o Papa Leão Magno I, os historiadores dizem que ele foi o primeiro papa (o primeiro papa, oficialmente falando foi Gregório Magno I). Lembra da invasão de Átlla na Península Itálica e a intercessão do Papa? Foi o Papa Leão Magno I, que interviu, salvando o Império.

A partir daí o Ocidente passou a quase adorar o Bispo de Roma, quando o Imperador Romano Valentiniano III, em 445, bajulado, reconheceu oficialmente a pretensão do papa de exercer autoridade sobre as Igrejas. O papado foi tendo como base a passagem bíblica de Mateus 16:18, alegando que o Papa era sucessor do Apóstolo Pedro e que o mesmo tinha se enterrado em Roma. Por isso Roma deveria ser a sede da Igreja, pois Pedro repousava lá, e o Bispo de Roma deveria ser o chefe supremo da religião. Nesse tempo o Império Romano do Oriente continuava ativo, não reconhecendo a autoridade do Papa, ainda que o vissem como chefe religioso, a imaculação e inerrância papal eram colocadas em xeque.

Como surgiu o Vaticano?

Na época em que o papa Estêvão II recorreu aos francos, eles viviam sob o domínio da dinastia Carolíngia, fundada por Pepino, o Breve[...]. Apesar da mudança dinástica, a aliança entre os francos e a Igreja permaneceu inabalável. Entre 754 e 756, Pepino organizou duas campanhas contra os lombardos e retomou as regiões de Ravena e Roma, doando-as a Igreja. O ato, conhecido como doação de São Pedro, deu origem ao Estado pontifício que iria durar mais onze séculos. (VAINFAS, Ronaldo... [et al.]. História 1: Das sociedades sem Estado à monarquia absolutista. 2. Ed. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 88).

Os dez reinos germânicos que se fundaram na Europa sempre viviam em guerra, buscando sempre aumentar o seu território, o único ponto que os unia era a religião cristã. No tempo em que o rei Astolfo dos Lombardos estava invadindo as regiões de Ravena e a Cidade de Roma, o Papa Estêvão III pediu ajuda a Pepino III. O rei dos francos retaliou os lombardos que foram obrigados a recuar. Com as terras em suas posses, Pepino, doou uma grande extensão de terras ao Papa, inclusive Roma, criando um país no meio da Itália. Com a “Donatio Pippini”, o Estado Pontifício foi originado, nascia o Vaticano.

Em troca o Papa apoiou Pepino a derrotar Childerico III, rei dos francos, e tomar o seu poder, fazendo a dinastia merovíngia viram a carolíngia, deu a Pepino o título de “Patrício dos Romanos”. No Império do Oriente a doação de Pepino não foi bem vista, com protestos o povo reclamava, pois, as terras de Ravena pertenciam ao Imperador Romano do Oriente.

O Papa se defendeu alegando possuir um documento que mostrava que o Imperador Constantino havia doado as terras à Igreja. No século XV, esse tal documento foi mascarado como mentira, a verdade é que o Papa, ameaçado pelos lombardos, mandou fazer a escritura de doação no século VIII como sendo de autoria de Constantino. As bênçãos da Igreja retiraram a ilegitimidade do documento e o golpe de Estado.

A doação de terras à Igreja era comum no sistema feudal da Europa, como parte do dízimo obrigatório, a Igreja Católica tomou posse de um terço das terras de toda a Europa!

A Igreja detinha um grande número de terras, até quando ela perdeu o seu poder no Século das Luzes. Em 1861, os italianos queriam unificar a Península Itálica, anexando ao seu governo todas as terras da Itália, mas não conseguindo anexar Roma, por conta de o exército francês estar guardando o Papa e suas terras (lembra dos francos? Pois é, deles surgiram os franceses. Os francos se ligaram ao papa mais fortemente do que os outros reinos). Em processo de unificação, a Prússia (atual Alemanha) declarou guerra à França em 1870, por conta disso as tropas francesas liberaram a cidade de Roma, o governo italiano aproveitando-se disso tomou posse das terras. O Papa da época, Pio IX se declarou prisioneiro do governo italiano, reconhecendo a perda do Patrimônio de São Pedro doado por Pepino. Ele se recusou a deixar a cidade, dizendo que Roma era a “cidade eterna”. O Papa não aceitava a Itália ser um estado laico separado da Igreja, que antes na Idade Média, era dona de quase todas as terras italianas.

Mais tarde, o ditador fascista Benito Mussolini em 1929, entrou em acordo com o Papa Pio IX, que deu o resto das terras ao governo, ficando apenas com a porção de terra hoje conhecida como Vaticano. Em troca todas as escolas italianas eram obrigadas a dar o ensino católico, o governo pagaria impostos ao Papa por indenização das perdas das terras, e na parte de Mussolini, o ditador oprimia os italianos enquanto que o Papa “fingia não ver”. Esse episódio ficou conhecido como a Questão Romana, que deu origem ao Tratado de Latrão, que permitia a criação do Vaticano dentro do governo italiano.

Achei algo interessante em um blog da Internet:

“A palavra "papa" denominava até o ano 500 todos os bispos ocidentais. Aos poucos, restringiram esse tratamento aos bispos de Roma, que valorizados, entenderam que a Capital do império desfeito deveria ser Sede da Igreja. Nicolau l, ano 858, foi o primeiro papa a usar Coroa. Usou um documento conciliar falso (espúrio) dos Séculos II e III que exaltava o poder do papa e impôs autoridade plena. Assim, o papado, que era recente, tomou-se coisa antiga. O Vaticano projetou-se quando recebeu de Pepino, o Breve, ano 756, vastos territórios; essa doação foi confirmada pôr Carlos Magno, ano 774, quando ocupava o trono papal Adriano I.

Carlos Magno elevou o papado a posição de poder mundial, surgindo o "Santo Império Romano" que durou 1.100 anos. Mais tarde, Carlos Magno arrependeu-se por doar terras aos papas. No seu leito de morte sofreu "horríveis pesadelos". Agonizando, lastimava-se assim: "Como me justificarei diante de Deus pelas guerras que irão devastar a Itália, pois os papas serão ambiciosos, eis porque se me apresentam imagens horríveis e monstruosas que me apavoram devo merecer de Deus um severo castigo". “ (Lucimar Simon, A DOAÇÃO DE PEPINO (756). O texto completo pode ser visto neste blog: http://simonrepensandoahistoria.blogspot.com.br/2011/11/texto-doacao-de-pepino-756.html. O autor é Graduado em História pela UFES. Pós-Graduado em História e Literatura – Texto e Contexto pela UFES.)

O Papa sempre quis ser líder do Império Romano, atestando ser ele o seu real herdeiro e imperador. As práticas do Papa eram tomadas como inválidas no Império do Oriente e pelo seu Imperador. Embora a Igreja Católica tenha herdado muito do paganismo romano, sua hierarquização, o autoritarismo e a língua latina, não herdou a unidade imperial, nem sua administração, que estavam ativas ainda no Oriente, ou seja, enquanto no Ocidente o Papa dominava a ideologia da Europa, no Oriente o Imperador dominava a Igreja e as terras do Império, se constituindo assim legítimo sucessor romano, coisa que o Papa nunca teve.
Continuaremos a ver outras objeções.

Houve outro Império Romano no Ocidente? O Sacro Império Romano-Germânico

Bandeira do Sacro Império Romano-Germânico (depois de 1400). A águia bicéfala foi adotada de Bizâncio, um rosto virado para a esquerda e o outro para a direita representa a autoridade no Oriente e no Ocidente.

Há quem pergunte, e o Sacro Império Romano-Germânico? Não era um Império Romano? A resposta é: NÃO.

Segundo a história, o Sacro Império Romano-Germânico nunca foi reconhecido como Império Romano. Esse império era uma das divisões do reino de Carlos Magno, que foi filho de Pepino, o Breve. Carlos Magno, antes rei dos francos e no ano 800, coroado pelo papa Leão III como imperador do Ocidente. Quando Carlos Magno morreu seu reino se dividiu em três, e em uma dessas divisões originou-se o Sacro Império Romano-Germânico.

Mas ao estudarmos toda a história percebemos que esse renascimento de Roma e a ascensão de um novo “imperador romano” não passou de um golpe da Igreja, juntamente com as ambições políticas dos francos.

“As mudanças na sociedade feudal estiveram também presentes no cenário político, com o conflito entre os dois grandes poderes daquele tempo: o Sacro Império Romano-Germânico e o papado. ” (VAINFAS, Ronaldo... [et al.]. História 1: Das sociedades sem Estado à monarquia absolutista. 2. Ed. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 112)

Naquele tempo havia uma briga entre o papado e o Sacro Império Romano-Germânico, não se sabia quem mandava mais, se o papa ou o imperador, a junção do reino franco com a Igreja foi apenas uma manobra de Carlos Magno, para aumentar o seu poder. Carlos conseguiu fazer com que o seu poder fosse do mesmo tamanho que o do papa, fazendo o reino franco ascender e durar mais que os outros reinos germânicos. Mas por quê esse império recebe o nome de Império Romano?

“A partir do século XI, o papa deixou de ser apenas o vigário de Deus para tornar-se, de fato, o principal de toda a cristandade.

O sucesso da primeira Cruzada [convocada em 1095 pelo papa Urbano II] reforçou o poder do papa no Ocidente, mas nem por isso os monarcas se renderam totalmente a sua autoridade. ” (ARANHA, Maria Lucia de Arruda. História da educação e da pedagogia: geral e Brasil. 3 ed. São Paulo. Moderna, 2006. p. 112. Comentário entre colchetes [ ] meu).

Iluminura do século XIV, feita em 1340. A coroação de Carlos Magno, no Natal de 800, fez o cristianismo se tornar a religião oficial da Europa Ocidental. (British Library, Londres, Inglaterra.)
Carlos Magno queria ficar a par do poder do papa, não querendo que apenas a Igreja mandasse, diminuindo o seu poder. Para agradar o Bispo de Roma, o papa, Carlos se uniu a Igreja para junto com ela fazer um Império, a Igreja sempre quis ter um império, ainda mais se ele recebesse o nome de “Romano”.

Mas é importante ressaltar as falácias que ocorreram nessa união a fim de reavivar o Império Romano do Ocidente. O primeiro de tudo foi a ousadia do papa em se declarar herdeiro do Império Romano, apenas pelo fato da Igreja católica ter se originado em Roma. 

O papa se dizia Imperador, tendo autoridade para coroar Carlos Magno. Mas acontece que essa “autoridade” se baseava na Doação de Pepino, que por sua vez baseava-se no documento, falso, de Constantino. Sendo assim, o papa não tinha autorização política para coroar um Imperador, ainda mais ele se fazendo de Romano.

Quando o Papa Leão III coroou Carlos Magno como Imperador Romano do Ocidente, o Oriente se viu superior a tal feito do papa, pois apenas o Imperador do Oriente seria digno de coroar o seu par no Ocidente. Constantinopla se indignou pela ousadia do papa, se dizendo o legítimo Império Romano. A Igreja defendeu-se alegando que não aceitava a autoridade de uma mulher, naquele tempo o Império do Oriente era governado pela Imperatriz Irene de Bizâncio.

Aconteceu que o papa sendo atacado pelos próprios romanos, se viu encurralado. Sabendo que uma mulher se sentava no trono do Oriente, a Igreja viu o trono oriental como vago, por não ter um imperador masculino, então o papa se dizendo herdeiro romano, aproveitou essa oportunidade e coroou um imperador masculino: Carlos Magno. O Império Oriental classificou o ato do papa como uma ofensa, não reconhecendo Carlos como imperador legítimo. O papa não deu crédito as críticas de Constantinopla, mas argumentava que o Oriente não poderia se envolver nos assuntos do Ocidente.

Entre todos os efeitos, o renascimento de Roma ocorreu com um imperador forjado, por cima coroado por alguém sem autoridade legal para isso, sendo assim, ilegítimo.

O Sacro Império Romano-Germânico não era romano propriamente dito, mas apenas uma fragmentação do império de Carlos Magno, que por sua vez era um dos vários reinos germânicos. As terras do Sacro Império Romano-Germânico NÃO tinham em seu domínio a cidade de Roma. Como pode um império romano não conter a cidade de Roma? Ele só recebeu esse nome em memória das glórias que o Império Romano teve em todo o continente europeu. Mas, e o Oriente? Ele também não tinha Roma em seu domínio. 

Vamos lembrar que em 395 o Império se dividiu, logo, duas partes, duas capitais. Quando Roma caiu, Constantinopla continuou de pé como capital romana. Entretanto Viena, capital do Sacro Império Romano-Germânico, nunca recebeu o título de Capital Romana.

Na verdade, do ponto de vista jurídico do próprio Império Romano, o Oriente seria mais “romano” que o Ocidente, já que quando o último imperador romano do Ocidente, Rômulo Augusto, foi desposado, Constantinopla se apressou para conseguir as insígnias de Roma, reunindo assim de modo formal o Império Romano. Além de tudo, nem os reis ocidentais se reconheciam como romanos, os germânicos sempre buscavam que os bizantinos os reconhecessem como seus pares, se utilizando de matrimônios, relações diplomáticas e as vezes até ameaças. Mas eles não tinham êxito por parte dos bizantinos que sempre os chamavam de “rei dos germanos”, jamais de “imperador”.

Querendo sempre se passar por herdeiros dos romanos, a partir da metade do século XII, a única coisa que os reinos germânicos conseguiram imitar de Roma foi o Iuris, o Direito Romano, já muito utilizado no Oriente, e também a criação da Universidade, que já estava em vigor no Oriente desde o século IX. Por isso o Império Romano Europeu da Idade Média é juridicamente discutível.

Depois da queda de Roma, os povos europeus nunca viveram unidos e em paz (diferente da União Europeia atual). A religião cristã foi a única coisa que os manteve unidos, e mesmo assim haviam muitos disparates na doutrina. “Após a queda do Império Romano, o cristianismo tornou-se elemento de unidade na Europa fragmentada em inúmeros reinos bárbaros. ” (ARANHA, Maria Lucia de Arruda. História da educação e da pedagogia: geral e Brasil. 3 ed. São Paulo. Moderna, 2006. p. 112)

Pequena Conclusão

Na verdade, a Europa era toda dividida em feudos, que eram tão distantes uns dos outros, abrigados nas florestas e montes, que em algumas partes do continente desaprendeu-se até a como fazer fogo! Certamente os outros impérios ditos romanos são só uma máscara para encobrir os feudos que eram divididos, quem mantinha e liderava a unidade ideológica era a Igreja Católica.

Demorou muito até que o poder papal fosse totalmente estabelecido e nem todos os respeitavam (muitos papas morreram assassinados e de maneiras cruéis).
Muito tempo passou desde a queda de Roma até o surgimento do poder papal, e enquanto isso o Império do Oriente se manteve de pé, permanecendo até o fim da Idade Média. 

Enquanto Roma caia, a autoridade do Papa aumentava, surgia a dinastia merovíngia, depois o Império Carolíngio, mais tarde o Sacro Império Romano-Germânico, uma série de impérios e poderes se levantavam e caiam na Europa, em toda a história o Império Romano do Oriente vivia!

Uma dose de verdade


Nossa sociedade tem uma cosmovisão, uma maneira de ver o mundo, muito diferente de alguns povos, isso por que somos autocentrados, olhamos para onde estamos, onde vivemos, o aqui e o agora. Não repararam que quando alguém, desses profetas que surgem por aí, afirma que Jesus voltará à meia-noite, ele sempre leva para meia-noite em seu país, não conhecendo os demais fuso-horários que a Terra tem? Jesus voltaria a meia-noite para que povo? Que país? É irracional ser autocêntrico. Nosso corpo social é totalmente ocidental, pegue qualquer livro de ensino fundamental ou médio que fale do período medieval e verá que se focaliza a Europa, excluindo a África e Ásia, qualquer livro de história ou geografia enfatiza mais a Europa do que os outros continentes, isso é um fato. Nossa sociedade é extremamente Ocidental, lemos a Bíblia como se ela fosse Ocidental, a partir de todas as filosofias e ciências que brotaram na Europa, a partir do Renascimento. Esses pensamentos do Renascimento, Iluminismo, Revolução Francesa, estão tão arraigados em nossa cultura que agora vemos a Europa como o centro do mundo, por que será que no mapa-múndi a Europa está no centro? Fomos doutrinados a ver a Europa como o centro, por um acervo de livros, filmes, quem não lembra da série Deixados para trás? Não enxergamos o Oriente Médio, como se ele nem fosse citado nas profecias bíblicas, esquecemos que de lá partiu a origem da Igreja e das doutrinas cristãs, alguns esquecem do Oriente e dessa realidade, a ponto de petulantemente ousar dizer que Israel foi substituído pela Igreja!

A Bíblia é totalmente oriental, devemos olhar para lá! Mas ao invés disso, tentamos de qualquer jeito, mesmo quebrando a cabeça, encaixar as profecias para a nossa vida moderna, fazendo especulações e levantando séries e séries de hipóteses. Alguns levam a profecia para a Europa, outros por sua vez são mais ousados e ocidentalizam mais, levando aos EUA. Mas a Bíblia é tão simples, ela sempre nos mostrava o caminho, era nós que não víamos, não queríamos ler a Palavra de Deus como ela realmente é.

Jerusalém (Deus a proteja) é o relógio de Deus, a cidade escolhida para o seu Messias. Israel (Deus o abençoe) foi a nação escolhida pela qual Deus estabelecerá o seu reino.

Aqui terminamos esse estudo, sei que está um pouco grande, pois penso que quando alguém tem uma opinião sobre algo, ela deve discorrer sobre aquele assunto. Mostramos uma nova versão da escatologia, em que 1) a profecia se aplica ao Oriente Médio e não a Europa; 2) Roma Papal, legalmente, não foi uma continuação do Império Romano; 3) Depois da queda do Império Romano do Ocidente, nenhum outro império na Europa recebeu ou teve autoridade para receber o título de Romano; 4) Roma Oriental continuou de pé, sendo uma extensão legítima do Império Romano, cumprindo a profecia, dando lugar na sucessão da cabeça da Besta ao Império Otomano e não ao Papado ou qualquer reino na Europa ou América.

Considerações

Através da leitura da Bíblia e direção de Deus conseguiremos encontrar a verdade.

Cada um leia e entenda como quiser, não queremos impor ideias sobre ninguém apenas mostrar, o que vemos como posição bíblica, para que o leitor possa crescer em conhecimento para a glória de Cristo, herdeiro das nações.

Deus o abençoe grandemente, e que o nosso Deus lhe dê a Paz de todas as maneiras possíveis.

Deus sabe mais!

Um comentário:

  1. VC É MUITO BURRO! APOCALIPSE DIZ QUE UMA CIDADE
    ERA BABILÔNIA E NÃO UMA IGREJA,NÃO COLOQUE MENTIRAS
    NA BOCA DE JOÃO MEU CARO.A IGREJA ROMANA FOI FUNDADA
    POR PEDRO I PEDRO 5,13 NA CIDADE DE ROMA

    ResponderExcluir